segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Passando Através - Nikola Tesla - “Passing Through”




O texto utilizado para a narração de “Passing Through” faz parte de um discurso que o cientista e inventor sérvio Nikola Tesla fez em 1893 no Instituto Franklin, na Filadélfia.

Tesla acreditava que a energia é uma força que atravessa tudo, seja matéria inorgânica, organismos ou a consciência humana. De acordo com essa linha de pensamento, cada ação teria consequências universais.

Pouco se sabe a respeito da religiosidade ou não de Tesla, pois ele não expunha suas crenças particulares abertamente, porém sabe-se que ele era de uma família religiosa, inclusive era filho de Milutin Tesla, presbítero da Igreja Católica Ortodoxa.

As perguntas que ficam são as seguintes:

Que “energia que permeia tudo” é essa a qual Tesla se refere? Qual a origem da complexidade da natureza inconcebível aos homens que ele se refere?

Será que Tesla está falando (entre linhas) sobre uma força vinda de um ser  Onipotente?

Infelizmente Tesla não está mais vivo para nos responder, mas achamos que seria importante trazer esse pensamento dele para raciocinarmos.

Assista ao vídeo





Narration of original text:

“Like a wave in the physical world, in the infinite ocean of the medium which pervades all, so in the world of organisms, in life, an impulse started proceeds onward, at times, may be, with the speed of light, at times, again, so slowly that for ages and ages it seems to stay, passing through processes of a complexity inconceivable to men, but in all its forms, in all its stages, its energy ever and ever integrally present. 

A single ray of light from a distant star falling upon the eye of a tyrant in bygone times may have altered the course of his life, may have changed the destiny of nations, may have transformed the surface of the globe, so intricate, so inconceivably complex are the processes in Nature. In no way can we get such an overwhelming idea of the grandeur of Nature than when we consider, that in accordance with the law of the conservation of energy, throughout the Infinite, the forces are in a perfect balance, and hence the energy of a single thought may determine the motion of a universe.”

Nikola Tesla “The Electrical Review, 1893”

Fontes:
Texto:Raciocínio Cristão
Canal do Youtube: Raciocínio Cristão






sábado, 29 de outubro de 2016

AS LEIS QUE REGEM O UNIVERSO



Leis eternas regem o universo, orientando o aprendizado de todos, em experiências que os leva à compreensão e à sabedoria, de que toda a manifestação e de que a origem de tudo é o Amor. 

Através destas leis a consciência contida em um corpo pode paulatinamente se expressar, vivenciando experiências em um determinado espaço, em uma determinada dimensão ou realidade. 

Elas organizam a duração das experiências que têm que ser vividas pela consciência, em função daquilo que no tempo, já foi, é ou será experienciado, a fim de que a consciência obtenha a Luz da Sabedoria.

Elas são aplicadas para tudo que foi gerado e elas regem o processo da vida. À medida que a consciência se harmoniza, se descobrindo no contexto do universo, perceberá que estas leis se aplicam à tudo que ela faz, o que ela pensa e mesmo o que ela imagina e, que no seu agora, está inserido também o seu antes e o seu depois. 


A consciência ao perceber o universo vibrando como uma unidade, portanto, aceitando-o na sua perfeição divina, decodificará as informações que vibram dele menos fragmentadas.

De acordo com Amit Goswami – (Ph.D em Física Quântica), Srila Prabhupada – líder religioso indiano, fundador da Sociedade Internacional para a Consciência de Krishna e Fritjot Capra (Ph.D em Física), as 21 Leis Universais são apresentadas sob o ponto de vista das análises mais recentes e criteriosas da ciência da Metafísica e da Física Quântica. 

Introdução:
Segundo os recentes estudos dos grandes físicos e do mestre espiritual, eis as Leis Universais que regem o Universo. A Natureza material e espiritual dos seres vivos e em especial as nossas boas ou más condutas neste planeta terra, regem o Universo. Assim, parece lógico e razoável por meio da inteligência, que queiramos conhecer a nós mesmos, nossos objetivos nesta vida e o nosso próximo destino.

Reflexão:
“Ó homem, conhece-te a ti mesmo e conhecerás o Universo e os deuses.” A mensagem acima foi escrita há muito tempo em um Templo consagrado ao deus Apolo, em Delfos, na Grécia. É atribuída ao sábio filósofo Sócrates.



01) Lei da Unidade – Esta lei nos ajuda a entender que vivemos em um mundo onde tudo está ligado a todo o resto. Tudo que fazemos, dizemos, pensamos e acreditamos afeta os outros do Universo que nos rodeia. Cada um de nós está ligado ao nível do inconsciente coletivo, profundamente dentro do Eu Superior. Somos todos parte de uma grande Fonte de Energia. Tudo o que você pensa, diz e faz, afeta todas as outras pessoas. A espiritualidade não é sobre ser algo, mas sim sobre ser consciente, atento e presente ao momento, ao agora, a Unidade. Somos todos um e o que fazemos ao outro, fazemos a nós mesmos.


02) Lei da Ordem Divina - Se você procura entender a Lei da Ordem Divina, estude o equilíbrio da natureza pois ele funciona da mesma forma. Tudo é como deveria ser, embora a humanidade esteja longe de experimentar o seu potencial de harmonia total, não há acidentes. Nada acontece por acaso. Tudo tem um propósito divino. A vida é funcional, adaptável e sustentável neste planeta. Qualquer desajuste no equilíbrio neste sistema planetário apenas causa a desarmonia e tentamos, quase sempre inutilmente, nos adaptarmos e restabelecermos sua funcionalidade e sustentabilidade de novo. Não existem erros nem acasos. 


03) Lei da Conseqüência – Causa e Efeito – Esta lei declara que nada acontece por acaso ou fora das leis universais. Tudo o que você pensa, fala ou faz, volta para você. Cada pensamento, palavra ou ação envia para o Universo ondas eletromagnéticas fazendo com que se tornem realidade. 
Toda ação tem uma reação ou consequência e colhemos o que semeamos. Esta lei anuncia que o Universo nos dá a oportunidade de sermos construtores dos nossos destinos. É preciso apenas saber plantar o que queremos colher. Se a semeadura é livre, a colheita é obrigatória. 


04) Lei do Retorno/Compensação – Aquilo que você oferece com dádiva, você acaba por receber mais. Aquilo que você faz para os outros, cedo ou tarde, vai retornar para você, de alguma forma. Quanto mais amor você oferecer aos outros, mais você vai receber em retorno. 
Esta lei é a Lei de Causa e Efeito aplicada às bênçãos e abundância que são fornecidos por nós. 
Existem pessoas que, ao longo da sua jornada, vão impondo barreiras e limites aos seus desejos, mas não importa o tamanho dos seus sonhos, o Universo não enxerga limites. Aquilo com que você sonha é o que vai se realizar, independente de ser algo muito pequeno ou imensamente grande. 




05) Lei da Atração – Esta lei demonstra como criamos as coisas, eventos e pessoas que entram em nossas vidas. Nossos pensamentos, sentimentos, palavras e ações produzem energias que, por sua vez, atraem energias semelhantes. Energias negativas atraem energias negativas, e energias positivas atraem energias positivas.  O Universo te retorna aquilo onde você coloca o seu foco, a sua atenção, suas palavras, seu sentimentos, sua energia. Ele não analisa se é bom ou ruim, ele simplesmente respeita o seu foco, seu livre-arbítrio, sua escolha e lhe retorna.




06) Lei da Energia – Como afirmam os físicos e em especial os físicos quânticos, tudo no Universo é energia. E toda energia é vibração. É apenas em vibração que faz diferir casa coisa e cada ser (Teoria das Cordas). No Universo, a energia não se cria e não se perde, apenas se transforma. Isso se aplica a tudo, inclusive à consciência. As diferenças na vibração fazem mudar as propriedades das coisas de forma que parecem diferentes à nossa percepção limitada. Deste modo, formas de seres e objetos podem não ser manifestadamente visíveis, mas são existentes. Ou não podemos ver, mas podemos sentir.



07) Lei do Agora/da Eternidade – Na realidade, o tempo não existe. Esta ideia é uma convenção, um acordo social. O que pensamos que é tempo foi algo conceituado pelos físicos em relação a movimentos cíclicos de um objeto relativo. Se nós sairmos da superfície da Terra e não pudermos observar o sol nem a lua, nós perderemos esse conceito de tempo. Passado e futuro só têm realidade nas nossas construções mentais. Você não pode fazer nada ontem ou amanhã porque, na verdade, só existe o Agora. 




08) Lei da Harmonia - No Universo, tudo tenta atingir o equilíbrio e a harmonia. Observe o caso da natureza, do Planeta Terra e de todo o Universo conhecido. Este plano material é um reflexo do plano astral. Tudo que existe aqui existe lá, só que aqui é reflexo pervertido, temporário e ilusório. Lá, tudo é absoluto, eterno, perfeito, pleno de prazer, pleno de conhecimento e de êxtase. Aqui, somos como um peixe fora d’água. A harmonia é o supremo potencial do equilíbrio. 



09) Lei da Afinidade Magnética – Tudo na nossa vida condicionada não acontece por mero acaso, há afinidades que explicam propósitos e conseqüências de acordo como o nosso nível de consciência.
Aquilo que consideramos aleatório representa nossa incompreensão diante da linguagem do universo. Tudo o que surge na nossa vida está muito além do acaso, só temos de permitir e estar receptivos à essas coincidências, lembrando que nada, nada mesmo, acontece por acaso.



10) Lei da Evolução e Propósito – A evolução do Universo e da vida não ocorre por acaso. Existe um propósito e tudo é orquestrado de um modo espantosamente inteligente pela Consciência Suprema. A evolução humana é no sentido da expansão da consciência, ou seja, da inteligência, do poder criativo e da manifestação dos bens favoráveis a toda sociedade. 
A evolução da Consciência Suprema é no sentido da sabedoria do amor. Nós somos partículas atômicas da Consciência Suprema, somos extensão da Fonte de Energia, temos as mesmas qualidades fundamentais dela, só que em quantidade infinitesimal. Temos uma ligação profunda com a Fonte de Energia, somos parte integrante da Consciência Suprema, que é a causa do conhecimento perfeito e bem-aventurança verdadeira. A causa de todas as causas. 




11) Lei do Livre Arbítrio – Somos responsáveis pelo que criamos totalmente com nossas atitudes, e a isso chamamos de livre arbítrio. Você tem a liberdade de reagir perante os eventos e circunstâncias. Assim, desenvolvendo consciência espiritual, haverá gradualmente o desapego às coisas e aos seus resultados e às suas expectativas quase sempre frustrantes, e você aprende a cultivar ações materiais e espirituais positivas. 



12) Lei da Sabedoria – A sabedoria da consciência (sabedoria interna) elimina a ignorância e suas conseqüências negativas. Se você tiver sabedoria para aprender suas lições através do amor e da sabedoria interna, você pode atenuar o seu sofrimento. 
O primeiro passo para o verdadeiro conhecimento é nos conhecermos a nós próprios. Esse conhecimento está intimamente ligado a voz interna.




13) Lei da Intenção e Manifestação – Tudo se inicia com um pensamento, uma ideia, um mantra, ou seja, com o verbo. Quanto mais forte, mais repetitivo é este, mais depressa se manifesta (materializa/realiza), pela mecânica material ou espiritual da imantação. 
O método científico e filosófico da autorrealização é o método pelo qual purificamos nossa consciência, impedimos mais poluição e chegamos ao estado de perfeição. Pensamos e agimos. O pensamento é uma força criadora. A mente humana é uma centelha da infinita mente divina. Toda manifestação começa com um pensamento, uma ideia. Ideias e experiências criam crenças que por sua vez criam a sua realidade. 




14) Lei da Abundância – Nós criamos a realidade que queremos, conforme nossos interesses. Ou melhor, nós vemos a realidade que queremos. Mas a realidade é que o Universo é infinitamente abundante. No entanto, a generalidade da espécie humana, imersa na ignorância, escolhe viver um planeta de escassez e assim cria a sua realidade ilusória. 



15) Lei da Gratidão - Agradecer pelos fatos simples da vida e pelo que você tem, mesmo que tenha pouco, é o segredo para sua sintonia com o universo. Quanto mais gratidão você sentir, mais você vai receber, pois o Universo vai retribuir à vibração do seu sentimento. Esta é uma lei imutável. 




16) Lei do Desapego – É na resistência e no apego aos bens do mundo material que está à origem de todos os nossos sofrimentos. Só porque resistimos com apego aos bens materiais, estamos sempre insatisfeitos e incompletos. 
Quando aceitamos que todas as coisas são passageiras e mutáveis, ficamos em paz. Cultivando a consciência de que tudo é transitório e efêmero, podemos ser mais facilmente felizes. 



17) Lei da Resistência - Aquilo a que você resiste, você assume para você, perpetuando sua influência sobre sua vida. A resistência é o medo, por isso é algo que você precisa resolver. Aquilo que você resiste por desconhecer a verdade chama-se ignorância e se você receia obter o conhecimento superior espiritual, você será atraído (a) cada vez mais aos medos, as angústias e as desavenças. 
Tudo à que se resiste, persiste. Fluir com a vida, não oferecer-lhe resistência produz verdadeira transformação interior.  



18) Lei da Reflexão - Esta lei diz a que suas características correspondem aos outros, que você reconhece em si mesmo, tanto positivo quanto negativo. Aquilo que você aprecia, receia ou desgosta nos outros, você tem em si mesmo (a) e vice-versa. Em verdade, somos o reflexo do outro. Você só reconhece no outro, aquilo que você conhece em si mesmo.
Somente o seu autoconhecimento e a sua autorrealização, poderia lhe colocar em verdadeira reflexão de: “ Quem Eu Sou?” 



19) Lei do Amor Incondicional – A expressão do amor incondicional manifestada pelos homens com consciência divina proporciona mais harmonia e paz.
O amor incondicional não é o amor romântico, mas sim o amor que você dá sem pedir ou esperar nada em troca, é a aceitação dos outros como eles são, sem julgamentos ou expectativas, é a total aceitação dos outros sem tentar mudá-los, exceto pelo nosso próprio exemplo positivo. A Lei do Amor Incondicional diz: “Se você agir de sua maneira expressando o amor incondicional, você se eleva automaticamente acima do medo, e quando você transcende seus medos, você automaticamente se abre para a expressão do amor incondicional”. 



20) Lei do Compromisso – Uma forma de consciência superior só consegue ser realmente livre e totalmente realizada em felicidade quando conseguir libertar e compartilhar essa felicidade a todos os outros seres. No sentido verdadeiro do espírito, por virtude da lei do propósito, parece-nos que a energia superior do universo sempre percorre no sentido do Amor e tal acontecerá mais tarde ou mais cedo na história dos homens, de acordo com seus níveis de consciência. 
Só que ao mesmo tempo, O Universo, a Consciência Suprema nos dá liberdade completa, e quando fazemos mau uso dessa liberdade, ficamos cobertos pela ilusão material, a partir do ego falso, e por isso temos que nascer no mundo material, que funciona como uma prisão.

No dia 21 de setembro de 2015, na Tailândia, um milhão de crianças se reuniram com um único objetivo: meditar pela Paz Mundia

21) Lei da Comunhão/Associação - Quando duas ou mais pessoas de vibração semelhante estão reunidas para um propósito compartilhado, sua energia combinada direcionada para a realização desse objetivo é dobrada, triplicada, quadruplicada ou mais. Quando duas ou mais pessoas se reúnem com a mesma intenção elevada, a força é duplamente mais eficaz. Quando milhares de pessoas se reúnem com o mesmo propósito, a força é incomensurável. 








quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Feminicí­dio


A cada hora e meia, uma mulher é assassinada por um homem no Brasil, apenas por ser mulher. 

À esse crime que dá-se o nome de feminicídio, tradução de femicide (femicídio) mais usada na América Latina. 


Feminicídio é o assassinato de uma mulher pela condição de ser mulher. Já é tipificado como uma das formas de homicídio qualificado. 

O crime é definido como o homicídio praticado contra a mulher por razões de gênero, quando houver violência doméstica ou familiar, violência sexual, mutilação da vítima ou emprego de tortura. 



Tecnicamente é um erro grosseiro afirmar:“que foi criado um crime de feminicídio”. Em realidade, o crime continua sendo de homicídio, sendo que o feminicídio é uma qualificadora do crime de homicídio.

Suas motivações mais usuais são o ódio, o desprezo ou o sentimento de perda do controle e da propriedade sobre as mulheres, comuns em sociedades marcadas pela associação de papéis discriminatórios ao feminino, como é o caso brasileiro.


“O feminicídio é a instância última de controle da mulher pelo homem: o controle da vida e da morte. Ele se expressa como afirmação irrestrita de posse, igualando a mulher a um objeto, quando cometido por parceiro ou ex-parceiro; como subjugação da intimidade e da sexualidade da mulher, por meio da violência sexual associada ao assassinato; como destruição da identidade da mulher, pela mutilação ou desfiguração de seu corpo; como aviltamento da dignidade da mulher, submetendo-a a tortura ou a tratamento cruel ou degradante.”, - Comissão Parlamentar Mista de Inquérito sobre Violência contra a Mulher (Relatório Final, CPMI-VCM, 2013)




O termo passou a ser reconhecido principalmente com a sanção da lei que o tornou uma qualificadora do homicídio, mas ainda é pouco discutido fora de círculos especializados, como os do Direito e da militância feminista, onde surgiu originalmente. 

O feminicídio pode ser definido como uma qualificadora do crime de homicídio motivada pelo ódio contra as mulheres, caracterizado por circunstâncias específicas em que o pertencimento da mulher ao sexo feminino é central na prática do delito. Entre essas circunstâncias estão incluídos: os assassinatos em contexto de violência doméstica/familiar, e o menosprezo ou discriminação à condição de mulher. Os crimes que caracterizam a qualificadora do feminicídio reportam, no campo simbólico, a destruição da identidade da vítima e de sua condição de mulher. 




Não resta dúvida que ao longo da história, as mulheres continuam sofrendo preconceitos em todos os níveis. Também é certo que a violência contra mulher é um dos males que assolam e desafiam a sociedade em todo mundo. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), 35% das mulheres no mundo foram vítimas de violência física ou sexual em 2013. Em alguns países, essa realidade atinge 70% da população feminina.

Não se pode ignorar o fato de que no Brasil 77% das mulheres em situação de violência sofrem agressões semanal ou diariamente, conforme revelaram os dados dos atendimentos realizados pela Central de Atendimento à Mulher .

Estima-se que, entre 2001 e 2011, tenham ocorrido mais de 50 mil homicídios motivados por misoginia: isso torna o Brasil o quinto país que mais mata mulheres no mundo. 

Os números alarmantes traduzem uma realidade que tem nome: femicídio. O termo é uma alternativa a palavra homicídio e busca reconhecer este fenômeno como algo intimamente ligado à violência sexual usada para punir, culpar e controlar as ações, emoções e comportamento de mulheres. 


Os números chocam e causam questionamento, e embora não haja uma origem única, podemos buscar respostas em nossa história: “Desde que fomos descobertos, tivemos a presença dos portugueses, que tentaram escravizar os índios e não conseguiram. Depois trouxeram os negros da África, que foram submetidos - as mulheres negras tinham que obedecer ou apanhar”, contextualiza a delegada Vilma Alves, de Teresina. 

“Segue-se os cafezais e seus senhores, sempre com o poder macho, o açúcar e os senhores de engenho, e a época dos grandes comerciantes, sempre o poder do homem ligado ao poder financeiro. Nessa época, o homem era dono da mulher ao casar, podia bater, surrar, até matar sem consequências. O machismo está arraigado na nossa cultura, onde o homem teve o poder durante toda nossa história”. 



A herança deste passado se reflete nos dados atuais da pesquisa realizada em 2012 pelo Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea), que mostra que as mulheres negras representam 61% das vítimas de feminicídios no país. 

Stela Meneghel, pós-doutora em medicina de Porto Alegre com especialização em saúde pública e gênero e professora da UFRS, destaca: “Não é por acaso que a violência contra a mulher existe. Não é por causa de distúrbios mentais dos homens ou de uma vontade incontrolável de sexo, por psicopatologias, ou mesmo, digamos, porque esses conflitos seriam comuns a relacionamentos” enfatiza. 


Segundo ela, a violência é uma maneira de se adestrar as mulheres para que elas se mantenham numa posição de inferioridade e de adestramento. Seria por isso que o ápice de um contínuo ou de uma escalada crescente de violência é a morte de algumas mulheres. 


Da caça às bruxas do passado ao crescente infanticídio de meninas em algumas sociedades e aos assassinatos de mulheres supostamente em defesa da honra, não há nada de novo no feminicídio. 





Feminicídio: Em que contextos acontece

No Brasil, o cenário que mais preocupa é o do feminicídio cometido por parceiro íntimo, em contexto de violência doméstica e familiar, e que geralmente é precedido por outras formas de violência e, portanto, poderia ser evitado.


Trata-se de um problema global, que se apresenta com poucas variações em diferentes sociedades e culturas e se caracteriza como crime de gênero ao carregar traços como ódio, que exige a destruição da vítima, e também pode ser combinado com as práticas da violência sexual, tortura e/ou mutilação da vítima antes ou depois do assassinato.

"Trata-se de um crime de ódio. O conceito surgiu na década de 1970 com o fim de reconhecer e dar visibilidade à discriminação, opressão, desigualdade e violência sistemática contra as mulheres, que, em sua forma mais aguda, culmina na morte. Essa forma de assassinato não constitui um evento isolado e nem repentino ou inesperado; ao contrário, faz parte de um processo contínuo de violências, cujas raízes misóginas caracterizam o uso de violência extrema. Inclui uma vasta gama de abusos, desde verbais, físicos e sexuais, como o estupro, e diversas formas de mutilação e de barbárie.” - Eleonora Menicucci, ministra chefe da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência (SPM-PR)


Feminicídio e Tortura

O termo feminicídio foi cunhado pela primeira vez pela escritora feminista Diana Russell, nascida na África do Sul. Em seu livro Femicide: The Politics of Killing Woman (Feminicídio: as políticas de matar mulher), lançado em 1992 em parceria com Jill Radford, Russell define o crime como resultado de contínuos abusos, tanto físicos como psicológicos ou sexuais, marcados por escravidão sexual, mutilação genital, maternidade forçada, homofobia (quando a mulher é morta por ser lésbica) e racismo, entre outros atos misóginos. Um desses atos, que também é inserido com característica de feminicídio, é a tortura.


No mundo, o feminicídio já foi tipificado como crime em países como México, Chile, Guatemala, Costa Rica, El Salvador, Espanha e Peru, segundo dados do Comitê Latino-americano e do Caribe para a Defesa dos Direitos da Mulher (Cladem). Aqui no Brasil, país que ocupa o 5° lugar no ranking dos países com maior número de feminicídios (o primeiro é El Salvador).

No Brasil, a taxa de feminicídios é de 4,8 para 100 mil mulheres – a quinta maior no mundo, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). 

Em 2015, o Mapa da Violência sobre homicídios entre o público feminino revelou que, de 2003 a 2013, o número de assassinatos de mulheres negras cresceu 54%, passando de 1.864 para 2.875.


Na mesma década, foi registrado um aumento de 190,9% na vitimização de negras, índice que resulta da relação entre as taxas de mortalidade branca e negra. Para o mesmo período, a quantidade anual de homicídios de mulheres brancas caiu 9,8%, saindo de 1.747 em 2003 para 1.576 em 2013. Do total de feminicídios registrados em 2013, 33,2% dos homicidas eram parceiros ou ex-parceiros das vítimas.

Alguns números sobre a violência contra as mulheres no Brasil:


Embora muitos avanços tenham sido alcançados com a Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006), ainda assim, hoje, contabilizamos 4,8 assassinatos a cada 100 mil mulheres, número que coloca o Brasil no 5º lugar no ranking de países nesse tipo de crime. 

Segundo o Mapa da Violência 2015, dos 4.762 assassinatos de mulheres registrados em 2013 no Brasil, 50,3% foram cometidos por familiares, sendo que em 33,2% destes casos, o crime foi praticado pelo parceiro ou ex. Essas quase 5 mil mortes representam 13 homicídios femininos diários em 2013.

Homicídio de mulheres negras aumenta 54% em 10 anos – O Mapa também mostra que a taxa de assassinatos de mulheres negras aumentou 54% em dez anos, passando de 1.864, em 2003, para 2.875, em 2013. Chama atenção que no mesmo período o número de homicídios de mulheres brancas tenha diminuído 9,8%, caindo de 1.747, em 2003, para 1.576, em 2013. 


Violência sexual no Brasil: usando dados do Ministério da Saúde, o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) analisou os registros de violência sexual e concluiu que 89% das vítimas são do sexo feminino e em geral têm baixa escolaridade. Do total, 70% são crianças e adolescentes. Em metade das ocorrências envolvendo crianças, há um histórico de estupros anteriores. 70% dos estupros são cometidos por parentes, namorados ou amigos/conhecidos da vítima. 

Percepção da sociedade sobre violência e assassinatos de mulheres (Data Popular/Instituto Patrícia Galvão, 2013)

Para 70% da população, a mulher sofre mais violência dentro de casa do que em espaços públicos no Brasil. É o que mostra pesquisa inédita, realizada com apoio da SPM-PR e Campanha Compromisso e Atitude pela Lei Maria da Penha, que revelou significativa preocupação da sociedade com a violência doméstica e os assassinatos de mulheres pelos parceiros ou ex-parceiros no Brasil.

Além de 7 em cada 10 entrevistados considerar que as brasileiras sofrem mais violência dentro de casa do que em espaços públicos, metade avalia ainda que as mulheres se sentem de fato mais inseguras dentro da própria casa. Os dados revelam que o problema está presente no cotidiano da maior parte dos brasileiros: entre os entrevistados, de ambos os sexos e todas as classes sociais, 54% conhecem uma mulher que já foi agredida por um parceiro e 56% conhecem um homem que já agrediu uma parceira. E 69% afirmaram acreditar que a violência contra a mulher não ocorre apenas em famílias pobres. Saiba mais sobre essa pesquisa



Em comparação a 2014, houve aumento em 2015 de:
44,74% no número de relatos de violência
325% de cárcere privado (média de 11,8/dia)
129% de violência sexual (média de 9,53/dia)
151% de tráfico de pessoas (média de 29/mês)

"A violência contra as mulheres é uma manifestação de relações de poder historicamente desiguais entre homens e mulheres que conduziram à dominação e à discriminação contra as mulheres pelos homens e impedem o pleno avanço das mulheres..." (Declaração sobre a Eliminação da Violência contra as Mulheres, Resolução da Assembleia Geral das Nações Unidas, dezembro de 1993).



A representante da ONU Mulheres no Brasil, Nadine Gasman, afirma: “Feminicídios são assassinatos cruéis e marcados por impossibilidade de defesa da vítima, torturas, mutilações e degradações do corpo e da memória. E, na maioria das vezes, não se encerram com o assassinato. Mantém-se pela impunidade e pela dificuldade do poder público em garantir a justiça às vítimas e a punição aos agressores”.

E acrescentou: "buscamos eliminar as discriminações a que as mulheres são alvo pelo machismo, pelo racismo, pelo etnocentrismo, pela lesbofobia e por outras formas de desigualdades que se manifestam desde a maneira como elas vivem, a deflagração de conflitos com base em gênero e os ciclos de violência, que culminam com as mortes violentas”.

Mulher protesta contra os feminicídios na Argentina

Esse mês de outubro de 2016,  na Argentina, a morte de Lucía Perez, na cidade litorânea de Mar del Plata, chocou o mundo, gerando uma grande mobilização por parte das mulheres. Lucía Perez foi drogada, violentada e morta. Foi estuprada não só com pênis, mas também com um objeto. Lucía foi empalada. Tinha 16 anos.

O movimento foi chamado por um grupo de organizações feministas, mas teve a participação expressiva de mulheres que nunca tinham participado de nenhum protesto nem pertencem a qualquer coletivo. É do controle sobre os corpos femininos que se trata. Pelo estuprador e assassino, tolerado e seguidamente impune, quando não justificado. Pelo Estado e pela Igreja, que com frequência se articulam para barrar direitos sexuais e reprodutivos.

O controle dos corpos das mulheres não é uma denúncia de militantes, um jargão feminista. A relação entre os corpos das mulheres, o poder e a política se dá no cotidiano. Não corre no paralelo, corre imbricado. Intimamente imbricado – e implicado.


Os pais de Lucía Pérez, Guillermo (centro) e Marta (dir.) num protesto  para exigir justiça

 “A menos de uma semana do Encontro Nacional de Mulheres, um novo feminicídio brutal mostra a violência a que estamos expostas. Por todas as mulheres que faltam, pelas assassinadas e desaparecidas, contra a violência e o terrorismo machista, contra a impunidade, contra o acobertamento, contra a inação e a cumplicidade estatal e policial”

Vale lembrar que, neste momento, há também uma ofensiva conservadora no mundo. Argentinas e Brasileiras têm, em comum, um projeto conservador nos respectivos governos. Não liberal, mas conservador. 









Baseado nas seguintes fontes:
https://www.catarse.me/femicidionobrasil
http://feminicidionobrasil.com.br/
http://www.agenciapatriciagalvao.org.br/dossie/violencias/feminicidio/
http://www.compromissoeatitude.org.br/serie-especial-violencia-contra-mulher-no-mundo-reune-dados-sobre-feminicidio-terra-29052014-2/
https://nacoesunidas.org/onu-feminicidio-brasil-quinto-maior-mundo-diretrizes-nacionais-buscam-solucao/
http://brasil.elpais.com/brasil/2016/10/24/opinion/1477313842_805785.html?id_externo_rsoc=FB_CC





sábado, 22 de outubro de 2016

SEMPRE DIGA SIM!! PARA O MOMENTO PRESENTE



Escrito por Paulo Tavarez

Por que estar em guerra contra o mundo? Por que acreditar que a vida é uma luta? Pensando assim você estará em um eterno campo de batalhas, sua vida será um desenrolar de confrontos e você estará seguindo na direção oposta ao verdadeiro despertar. Por que insistir nesse modelo beligerante?

Revoltar-se contra os acontecimentos do seu dia a dia, reagir aos impositivos do Universo, fugir da realidade, tudo isso são subterfúgios que reforçam a sua postura covarde. Você se veste com o mito do herói, mas não percebe que tudo que está fazendo é negar a realidade, não percebe que age como um Dom Quixote lutando contra moinhos de vento. Você age assim porque ainda é regido por instintos, ainda sofre a influência do seu cérebro reptiliano que só conhece duas opções diante dos eventos: fugir ou lutar.



É preciso muita coragem para confiar, entregar, aceitar e agradecer por tudo aquilo que a vida estiver oferecendo. Quando você irá compreender que existe um objetivo elevado e voltado para o bem em tudo aquilo que incide sobre você?

Não importa o que este momento presente está apresentando, aja como se fosse você que estivesse escolhido vivê-lo desta forma, pois acredite, existe uma instância em seu próprio ser, conhecida como Self, escolhendo aquilo que se manifesta na sua realidade, pois essa mesma instância entende o que é melhor pra si, conhece as ‘verdadeiras’ necessidades da alma e, embora você discorde, saiba que esse ‘você’, que age com rebeldia, na verdade é apenas um personagem dessa trama, é apenas o seu ego.

O que já é, já é, não existe nada mais insano do que querer mudar a realidade, não existe nada mais insensato do que fugir daquilo que é e refugiar-se em idealizações estúpidas.



Isso não é comodismo, pelo contrário, isso é absolutamente inteligente e dinâmico, pois quando a gente se coloca humildemente diante dos fatos como um aluno diante de uma lição, o crescimento é gigantesco. Você quer ser aquele aluno repetente? Quer continuar passando por recuperações? Acredito que não! No fundo você quer graduar-se, então pense… por que ser tão rebelde? Por que não render-se aos imperativos da vida e entender que, na verdade, você nunca esteve no controle? Você sempre irá encontrar em seu caminho as pessoas que ‘precisa’ encontrar, você sempre estará exposto aos eventos que ‘precisa’ enfrentar, não existem erros ou injustiças, é apenas a sua visão que precisa mudar.



Entregue, confie, aceite e agradeça.

Jesus ensinava que é a vontade do Pai e não a sua vontade que deverá prevalecer. O Pai para o Mestre Nazareno é a própria representação do Self, é o Imago Dei de Jung, simplesmente, Deus em nós. O Pai é a essência que negligenciamos e, de forma absolutamente rebelde, tratamos de negar.

É preciso deixar de ouvir a mente e sentir o coração, é preciso deixar de orientar-se pelo velho programa de condicionamentos ultrapassados que, infelizmente, ainda, orientam nossas ações e voltar-se para si; voltar à casa do Pai, só assim, estaremos vivendo dentro da única realidade possível.

A realidade do momento presente.