sábado, 30 de janeiro de 2016

MINDFUL EATING - COMER CONSCIENTE




Mindful eating é um estado de alimentação consciente. Não é uma dieta, pois não se trata dos alimentos que comemos, mas aborda a forma como os comemos e a forma como encaramos o momento da refeição. Trata-se de experienciar a comida mais intensamente.

Pesquisas “fresquinhas” sugerem que comer mais lentamente, prestando mais atenção ao momento, poderia ajudar com problemas de sobrepeso e talvez deixar algumas pessoas longe de alimentos processados ​​e outras escolhas menos saudáveis.


Esta abordagem alternativa foi apelidada de "comer consciente" (mindful eating). Ela é baseada no conceito budista de consciência, que envolve estar plenamente consciente do que está acontecendo dentro e em torno de você no momento. 

Em outras áreas, técnicas de consciência têm sido propostas como forma de aliviar o stress e aliviar problemas como pressão alta e dificuldades crônicas gastrintestinais.

Aplicada ao comer, a atenção plena inclui perceber as cores, cheiros, sabores e texturas de seu alimento; mastigar lentamente, se livrar de distrações como a televisão ou livros, e aprender a lidar com a culpa e a ansiedade sobre o alimento. 


A conexão mente-digestão envolve uma série complexa de sinais hormonais entre o intestino e o sistema nervoso, e parece demorar cerca de 20 minutos para o cérebro registar a saciedade (plenitude). 

Há também razões para acreditar que comer enquanto estamos distraídos por atividades como dirigir ou digitar pode retardar ou parar a digestão. E se não estamos digerindo bem, podemos estar perdendo o valor integral nutritivo de alguns dos alimentos que estamos consumindo.

Criar intimidade com nossos processos internos é aprender mais sobre como operamos no mundo em que vivemos, descobrindo como esses mesmos processos refletem em todas as ações que praticamos, principalmente na nossa relação com a comida. Comer é uma atividade que está presente na maior parte de nossa existência.


Quando estamos felizes saímos para comer e celebrar. Quando estamos tristes normalmente nos refugiamos em algo que traga conforto. Temos uma conexão profundamente emocional com os alimentos: um bolo quentinho pode ser motivo de lembranças ternas da infância e, para alguns, um simples quiabo é um gatilho que dispara nojo ou repulsa.

Pensando no nível celular, uma alface ou um McDonald´s vai servir como combustível, matéria prima e alimento para milhões de células, glóbulos e tecidos dentro do seu corpo. Pensando assim, você é o que você come, logo o que você comer irá tornar-se parte do seu corpo, da sua mente, de todo esse sistema incrível que te dá suporte.

Refletindo sobre a interdependência entre os seres, uma folha de alface não é (só) uma folha de alface. Ela é o sol, a chuva, pessoas e todos os outros seres que participaram do processo de criação da alface. Alface é só um nome para um aglomerado de fluxos ininterruptos de mudanças, energias e possibilidades onde outros seres participam do processo, dependentes entre si de cada outro ser. 

E, como um milagre, você compra uma e leva pra casa, lava e coloca no prato. Quanta coisa a gente consegue ingerir em um simples vegetal! Estamos ligados a todo o sistema de vida e processos naturais da Terra e do Universo através de uma simples folha de alface.


Ter consciência deste milagre é estar presente. E estar presente é um modo natural de meditar.

Comer mais devagar e saborear cada dentada pode ajudá-lo a comer menos e a comer de forma mais saudável.

Experimente sentir mais tempo a comida na boca, mastigar mais vezes e mais devagar, e sentir o verdadeiro sabor do que está comendo. Depois da primeira garfada pouse os talheres e aprecie!


Não espere até que você esteja faminto. Uma das chaves para uma alimentação consciente é manter seu corpo adequadamente alimentado para evitar tornar-se excessivamente faminto, o que aumenta a chance de que você comer demais.

Escolha alimentos que irão satisfazer tanto o seu corpo e sua mente. 

De acordo com alguns especialistas, o que parece ser o mais simples dos atos – comer devagar e realmente saborear cada mordida – pode ser o remédio para uma nação que vive bombardeada por novas dietas que nunca parecem solucionar o problema da obesidade.


Comer consciente não é uma dieta, e tampouco se trata de deixar de comer algo. É sobre experimentar a comida de uma maneira mais intensa – focando especialmente no prazer que ela proporciona. Você pode comer um cheeseburger conscientemente, se desejar. Você pode apreciá-lo muito mais. Ou você pode decidir, no meio, que seu corpo já obteve o que precisava. Ou que ele realmente precisa de uma salada.

"Isso é uma antidieta", diz Jan Chozen Bays, um pediatra e professor de meditação de Oregon e autor do livro "Mindful Eating: A Guide to Rediscovering a Healthy and Joyful Relationship with Food" (Comer consciente: um guia para redescobrir uma relação saudável e prazerosa com a comida, em tradução livre).


A nutricionista de Harvard, Lilian Cheung, tem se dedicado a estudar os seus benefícios e incentivado empresas e prestadores de serviços de saúde a experimentarem a prática.



"Comer consciente” ou mindful eating, é uma prática bem fácil de incorporar na rotina a fim de nos familiarizarmos sobre nossa relação com a comida, é uma técnica que está presente em todos os programas de mindfulness.  

Jan Chozen Bays diz que: “Mindfulness é consciência sem julgamento ou crítica. Feita de uma forma simples, não de uma forma sem sentido, aquecida com bondade e temperada com curiosidade”.

O estado mental de “Mindfulness” pode ser induzido ao focarmos nossa atenção intencionalmente na experiência direta do momento presente, numa atitude aberta e não-julgadora. 

Segundo Jon Kabat-Zinn, um dos responsáveis pela “ocidentalização” das práticas de mindfulness com foco na saúde, “Mindfulness é a simplicidade em si mesmo. Trata-se de parar e estar presente. Isso é tudo”.

O mindful eating é uma prática que vem crescendo ao redor do mundo, entrando na rotina de gigantes como o Google, que instaurou um dia da semana de seus funcionários reservado para o comer consciente e em silêncio. E é muito simples.


Para começar, escolha com atenção e consciência cada alimento que será colocado no seu prato e sente-se confortavelmente, com a coluna ereta e relaxada na cadeira.

Pegue seus talheres e corte o que for necessário cortar, repouse garfo e faca após cortar os pedaços.


Faça três respirações conscientes e pegue a primeira garfada, antes de colocar na boca olhe, cheire, passe um pouco nos lábios para sentir a temperatura, percebendo todos os impulsos no estômago, pensamentos que surgirem, emoções, percebendo e permanecendo presente para a experiência.

Com o alimento dentro da boca, ainda sem mastigar, gentilmente, repouse as mãos no colo permitindo que um relaxamento inato surja. 

Mastigue uma vez, e depois mais uma bem devagar, percebendo mudanças na textura, sabor e os impulsos de engolir que podem surgir. E somente engula quando não existir nada mais para mastigar. 

Faça novamente, e novamente. Abrindo-se para a gama de fenômenos que podem surgir na experiência.

No fim da sua refeição perceba como sente seu estômago. E como se sente num todo, isso pode ser feito com qualquer alimento, desde uma fruta, até um vegetal, até aquele hambúrguer delicioso do fim de semana.


Pelo paladar temos a oportunidade de nos conectar com nós mesmos, com nosso corpo e com o alimento que estamos saboreando, simplesmente e naturalmente.


Nossa sociedade está tão obcecada com o comer correto que nós as vezes comemos coisas que nem gostamos. Porém, a satisfação não vem apenas da plenitude, mas de apreciar o sabor dos alimentos - sem culpa. 


Sentindo-se culpado por comer certos alimentos você pode acabar comendo demais outros. Aprecie a ocasião. Apreciar o ambiente, a companhia, ou simplesmente o fato de que você está dando a si mesmo a oportunidade de sentar e desfrutar da sua refeição.

Apreciar o aroma e o aspecto de seu alimento. Observe as cores, texturas e cheiros da comida e imaginar qual o sabor que ele terá. Coma o que você gosta e não o que está na "moda". 

Esteja certo, seu corpo sabe o que lhe faz bem. Cada pessoas tem uma fisiologia diferente, um metabolismo diferente. O ato de alimentar-se deve ser um exercício de prazer sensorial. Se a cada garfada ou mordida, você se enche de culpa, você está simplesmente tornando a refeição um martírio.

Empurre seu prato para a frente ou levante-se da mesa assim que você se sentir satisfeito. O desejo de continuar comendo vai passar rapidamente. Tenha em mente que você vai comer de novo quando você está com fome.

Especialistas sugerem começar gradualmente com uma alimentação consciente: comer uma refeição por dia ou por semana de forma mais lenta, mais atentamente.


O mindful eating (comer consciente) vem sendo muito pesquisado numa tentativa de resgatar os sinais básicos do nosso corpo, trazendo consciência e atenção ao ato INDIVIDUAL de comer e aos sinais diários que o corpo nos manda e nós ignoramos. 

Dessa maneira você começa a se reconectar com as suas necessidades e não ao que os outros te impõe, melhora muito sua relação com a comida e com seu corpo e têm mostrado eficácia na diminuição da compulsão alimentar e de outros transtornos alimentares







Fonte:http://www.esmeraldazul.com/pt/sugestoes/livros-mindful-eating/
http://www.cozinhaconsciente.com.br/mindful-eating-comer-consciente/
http://gentabrasil.blogspot.com.br/2012/08/mindful-eating-comer-consciente.html
http://nutrieconsult.blogspot.com.br/2012/06/mindful-eating-comendo-com-consciencia.html



quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

O SILENCIO QUE NUTRE



Somos espíritos que estamos vivenciando uma experiência corporal neste momento. Precisamos cuidar da manutenção de nosso veículo físico temporário, ou seremos expulsos dele pela morte, o que não queremos, pois necessitamos das experiências que estamos passando para aprendermos algo novo, para evoluirmos. 

A densidade planetária nos aprisiona, mas também nos dá a possibilidade de criarmos asas mais fortes para um voo mais rápido e certeiro rumo à nossa casa real, à nossa tão esperada felicidade.

Tudo certo - quanto a cuidar de nossa casa planetária, de nosso corpo físico. O que não podemos é viver apenas pra isto, pois somos seres espirituais, antes de qualquer coisa, precisando do alimento de esferas mais altas, para que cresçamos e possamos resistir aos desafios desta dimensão terrestre.

Além de nossa mente racional, tão valorizada e estimulada hoje em dia, há uma zona sutil e silenciosa que nos abastece de alegria, de paz, de real força para caminhar. Acessamos ela através da quietude e da meditação. Nada muito complicado, mas natural, pois não deve ser difícil entrar em contato com quem realmente somos. Complicado é viver entre sombras, quando buscamos Luz. Este núcleo manso e sereno é de onde viemos, é a nossa essência, somos nós em nossa plenitude e verdade.


Mas a vida corrida que nos foi imposta pela velocidade febricitante dos acontecimentos do mundo atual nos impede, muitas vezes, de conseguir parar, respirar conscientes e se imaginar na Luz e na Paz da própria essência. Isto faz parte de uma conspiração para nos desestabilizar, mas não devemos nos render a ela. Somos mais fortes e podemos nos reabastecer de Paz. O desejo sincero tem a condição de nos levar para onde quisermos - basta que seja verdadeiro. A Verdade é a força e traça o Caminho...

Aproveitarmos os benefícios que a tecnologia nos proporciona é uma sabedoria. Mas não podemos viver sem orar, sem sentir como realmente estamos interiormente, sem nos ouvir, sem nos amar. Porque senão estaremos muito vazios e numa solidão enorme, mesmo cercados de tantas pessoas, de tantas coisas, de tantos sons, de tantos estímulos diferentes.


Buscar a própria casa no nosso ser mais íntimo é mandatório e sem isso ficaremos nos sentindo perdidos, mesmo que aparentemente tenhamos tudo para estarmos seguros. Esta nossa casa é só nossa e só pode ser acessada por cada um de nós. Lá está o verdadeiro Amor, a Paz que apazígua as lutas diárias, a gentileza que perdoa os nossos deslizes, a alegria de viver com serenidade apesar do que estiver acontecendo na superfície. É como se tivéssemos atingido o fundo do mar! As ondas de fora atestam a presença de ventos fortes, mas se formos descendo, descendo, encontraremos uma luz carinhosa e muito silêncio - que só existe na águas profundas.


Entrar em contato com este silêncio interior deveria ser a coisa mais fácil de todas. Mas, infelizmente, deixou de ser. Precisamos reaprender a fazer isto, seja da forma que for possível e que nos seja mais prazerosa. Onde estivermos, pelo tempo que for possível. Por exemplo, estando presentes ao máximo em tudo que fizermos. Evitando viver no "piloto automático", como robôs sem alma.



Buscar este silêncio é estar a caminho do paraíso, mesmo num corpo físico limitante. E certamente ele vai ter muito mais saúde depois que o iluminarmos com a energia de nossa essência. Pois doenças são apenas sintomas de uma desarmonia, de um desequilíbrio, de um afastamento. Elas atestam o choro de alguém que precisa de si mesmo e que vive perdido nos outros, nas coisas, na mente que não para de falar, de criticar, de julgar, de exigir...

Cada um sabe como se encontrar. Não é alguma coisa pra ser ensinada por alguém, mas desejada e vivida! Depois disto, seremos verdadeiramente amorosos, compassivos, pacientes, pois já saberemos o que é verdadeiramente ser feliz. Partilharemos o que somos.

por Maria Cristina Tanajura




terça-feira, 26 de janeiro de 2016

O QUANTO DE VERDADE VOCÊ SUPORTA?



Todas as verdades que nos são inconvenientes, são exatamente aquelas que enfrentamos todos os dias da maneira mais tola e ao mesmo mais eficiente que arranjamos: ignorando-as descaradamente, escolhendo a cegueira voluntária como subterfúgio para não perceber o que está bem diante dos olhos. 

Vivemos submersos em um estado de semi-sonambulismo, criando em nossas mentes uma novela sobre quem somos, na qual juntamos as informações fragmentadas da nossa vida meio acidental num roteiro aparentemente coeso mas ilusório, disfarçando de nós mesmos a mensagem que nos é passada por eventos cotidianos que nos informam continuamente sobre a nossa mortalidade, falibilidade e insignificância, sobre o estado de abandono fundamental em que nos encontramos.

Se você leu o que estava escrito acima e pensou em como é exageradamente trágica essa visão das coisas, isso é só a evidência do quanto estamos desacostumados à verdade. 

Não existe nada de inerentemente depressivo, opressivo ou trágico nessas afirmações: esses sentimentos surgem apenas como resultado do fenômeno de transição entre nosso estado de sonambulismo, de constante negação da realidade, e o estado do breve despertar que temos quando a verdade nos é exposta – ainda que somente no nível superficial do discurso.


E ao lado dessas verdades universais sobre a condição humana, há também aquelas verdades particulares igualmente difíceis.

Todos nós vivenciamos isso no cotidiano: notamos coisas sobre as pessoas ao nosso redor que parecem evidentes, mas que elas não conseguem perceber. 

Todos nós temos amigos e familiares que ostentam características ou comportamentos que condicionam, de regra para pior, as suas vidas. Em geral são coisas que, se a pessoa percebesse, trataria de modificar em sua conduta – e para melhor. É como a ponta do nariz, visível para todas as pessoas exceto para seu dono, pois está próximo demais do seu olhar.

Mas ninguém informa às pessoas sobre tais características ou comportamentos, ninguém coloca diante delas um espelho capaz de evidenciar a elas aquilo que todo mundo consegue ver. 

Mais ainda: raramente nos perguntamos se nós próprios também não possuímos características e condicionamentos perfeitamente visíveis aos outros mas não a nós mesmos, e cuja percepção nos traria grandes benefícios. 


Nietzsche porém, disse que talvez uma das condições para viabilidade da vida humana, seja o engano. Nos enganamos a nós mesmos a respeito da verdade, por necessidade. Ou seja, talvez só possamos ter uma vida funcional e ajustada admitindo alguma forma de ilusão.

Mas o quanto de ilusão? Se vivemos em semi-sonambulismo para esquecer cotidianamente todas as implicações que a mortalidade, a falibilidade, a insignificância e o estado fundamental de abandono trazem em nossas vidas concretas, fazemos isso por covardia ou por instinto de sobrevivência? 

Dito de outra forma: é possível a um ser humano viver saudavelmente e equilibradamente sem esquecer no cotidiano todas as verdades sobre sua condição?

Temos o direito de privar os outros de ilusões que talvez sejam necessárias para a sua sobrevivência emocional? Como aqueles capazes de viver totalmente despertos para as verdades sobre sua condição conseguem esse prodígio?

Mas saindo da teoria e indo para algo mais concreto: quem você realmente é? qual é sua verdadeira situação? o que você não percebe sobre si mesmo e que seria fundamental perceber? o que você está escondendo de si mesmo? no que você está se iludindo? de quais verdades você está fugindo?

Já que estamos elencando inúmeras perguntas, há uma fundamental, que cada um de nós deveria se perguntar antes mesmo de cogitar fazer qualquer coisa em sua vida, que precisamos responder antes de todas as demais. 

É que se todas as perguntas importantes sobre nossa vida pessoal e concreta servem para obtermos respostas verdadeiras, há uma questão fundamental que precisamos ter a sinceridade e a coragem de enfrentar antes de sair atrás de qualquer outra resposta:

O quanto da verdade você consegue suportar em sua vida?

Responder essa questão para si mesmo seria o primeiro gesto de grande honestidade, o primeiro grande favor que poderíamos nos conceder. 

Sempre partimos do preconceito, da superstição de que a verdade é algo bonito e desejado, de que a verdade liberta. 


Mas e se Oscar Wilde estivesse certo ao dizer que a verdade nunca é pura e raramente é simples? Se algumas verdades fossem tão impuras ao ponto de serem tóxicas demais para alguns de nós? 

Compreender isso pouparia muito sofrimento, muito desgaste de energia com projetos que dependeriam de uma verdade que, no fundo, não queremos conhecer.

Ao mesmo tempo, ao tentar responder essa pergunta poderíamos descobrir que estamos sonambulizados e agarrados a ilusões que nos afastam do conhecimento de verdades que somos sim capazes de suportar, e cujo reconhecimento nos livraria de muitas bobagens às quais nos prendemos por hábito ou injustificada covardia. 

Religiões, espiritualidade, planos profissionais, romantismo exacerbado, consumismo inconsequente, hedonismo irrefletido: essas e outras tantas coisas podem servir de subterfúgio e ao mesmo tempo prisão a que nos sujeitamos docilmente.



Muitas pessoas seguem suas vidas no automático, tomando as decisões mais importantes de suas vidas (o casamento, os filhos, a profissão,…) guiadas apenas por aquilo que a sociedade convencionou ser o correto, o adequado, simplesmente por essa ser uma forma conveniente de evitar questionamentos incômodos sobre a sua condição pessoal. 

Muitas pessoas fazem as escolhas mais essenciais de seu destino orientadas por uma imagem ilusória que apenas representa como elas gostariam que as coisas e elas próprias fossem, sem que essa miragem tenha correspondência com o que as coisas e elas próprias realmente são. 

Se elas tomassem a pílula amarga da realidade, embora o gosto não fosse inicialmente dos melhores, talvez no final conseguissem adquirir a lucidez necessária para fazer as escolhas certas e conduzir o seu destino com a honestidade fundamental que merecemos ter perante a vida.



Nietzsche também dizia que a medida de todo ser humano é a quantidade de verdade que uma pessoa é capaz de suportar. Mais do que isso, o alemão bigodudo afirmava que havia pessoas especiais, capazes não só de sobreviver às verdades mais indigestas sobre a condição humana, mas também de se fortalecerem diante dessas verdades.

Mas como tais pessoas fariam isso? Aí entra a concepção muito peculiar de Nietzsche sobre a arte. A arte, para ele, não seria uma exclusiva matéria de artistas, objeto de contemplação do público e tampouco se expressaria apenas em obras específicas como pinturas, peças teatrais, esculturas e músicas. 

Para Nietzche, a arte seria o potencial criativo e estético humano capaz de nos reconciliar mesmo com os aspectos mais terríveis e problemáticos de nossas vidas.

Para usar um exemplo retirado do livro A Servidão Humana de Somerset Maugham, algumas pessoas seriam capazes, ao reconhecerem as mais difíceis verdades sobre si mesmas, de tomarem decisões de modo a fazer com que suas vidas se tornassem uma espécie de tapeçaria dotada, senão de sentido, ao menos de beleza. 

E isso porque há uma grande potência em perceber-se o quão pouco se pode: economizamos a energia necessária para direcioná-la ao que realmente somos capazes de alterar. 

David Foster-Wallace nos prevenia do risco de não valorizarmos verdades por soarem como grandes clichês, e talvez aquele surrado lema de formatura sobre sermos capazes de reconhecer o que podemos e o que não podemos mudar represente, em seu lugar-comum, uma grande sabedoria.


E talvez as únicas qualidades morais realmente genuínas só possam existir a partir da capacidade de reconhecer aquelas verdades que Nietzsche chamou de terríveis e problemáticas. 

E isso porque quando somos capazes de perceber nossas falhas, nossa mortalidade e nossa impotência em relação à várias coisas, é impossível não nos tornarmos humildes. E logo se percebe que o estado de falibilidade e mortalidade é o substrato comum não só a experiência humana, mas também de todos os outros seres vivos, de forma que a única coisa lógica a fazermos coletivamente é trabalharmos na direção da compaixão.

Também somente a partir da capacidade de reconhecer as verdades mais difíceis sobre si mesmo e o mundo é que passamos a ser capazes de também nos relacionarmos genuinamente com as outras pessoas. 

Enquanto submersos em ilusões sobre como as coisas são ou deveriam ser, estamos semi-despertos, projetando nas outras pessoas nossas expectativas, sonhos e temores, sem a possibilidade de olharmos as pessoas com a abertura e clareza necessárias para que possamos realmente capturá-las a essência e compreendê-las.

Os budistas têm um conceito denominado bodichita. A célebre monja americana Pema Chodron equipara bodichita a um ponto no coração humano que tratamos como uma ferida ou um ponto fraco existente em cada um de nós: ali, onde você se machuca mais, naquele espaço oculto em seu coração que você esconde de tudo e de todos e que busca proteger do mundo inteiro com receio de se ferir, é onde está a parte mais preciosa do seu ser. 

Esse ponto fraco ou ferida que existe em todo o coração humano, e que mantemos oculto e fechado para não nos machucar, é justo a parte de nosso ser que deveria estar exposta e aberta. 


Somente assim conseguimos estabelecer com os outros relações verdadeiras e significativas. Mas justamente esse ponto em nosso coração é o que tentamos proteger das verdades desagradáveis que podem nos ferir, portanto só quando entramos em contato com tais árduas verdades e renunciamos à qualquer tentativa de nos poupar dessa experiência é que começamos a realmente sentir com vivacidade e plenitude.

As verdades mais importantes são duras e complexas, e a grande maioria das pessoas ilude-se constantemente sobre a realidade de suas vidas, deixando-se guiar por miragens sobre como gostariam que as coisas fossem e fazendo suas escolhas com base em uma covardia fundamental (na verdade, uma mistura de covardia, comodismo e ignorância)  em relação à realidade das coisas. 

Aderindo à essa cegueira voluntária, conduzimos o nosso destino de forma errática e estranhamos quando as coisas não sucedem tal como esperávamos – o grande desenho que representa nossas vidas é enorme demais para que possamos visualizá-lo da pequena perspectiva de nossas ilusões. 


A grande perspectiva é acessível apenas a quem aceita encarar cotidianamente as verdades mais difíceis sobre sua existência, mas para isso é preciso reconstruir-se a partir dessas próprias verdades. 

Quem assim o faz, e sobrevive a isso, adquire uma grande humildade, uma profunda compaixão por todos os seres e uma verdadeira capacidade para se relacionar com os outros para além de todas as projeções.

*Baseado no texto de Victor Lisboa







Fonte: http://ano-zero.com/o-quanto-de-verdade/




sábado, 23 de janeiro de 2016

O MEDO COMO INSTRUMENTO DE MANIPULAÇÃO



O medo, ao longo da história, pode ser analisado nos mais diversos campos, sendo administrado para controlar e manter a ordem.

Por ser uma emoção tão forte o medo vem sendo utilizado ao longo da história humana como uma das mais eficientes formas de manipulação. Quando tememos muito por algo e não temos coragem de enfrentar, acabamos fazendo qualquer coisa para nos livrar dessa sensação incômoda.


No entanto, no campo religioso ele é mais visível e pode ser muito contributivo para o estudo da manipulação em massa. 



Analisar a manipulação através do medo não tem por principio desrespeitar a escolha do outro, e sim lançar um olhar crítico e isento. 


Medo, culpa e castigo seria uma tríade histórica nos processos de evangelização. Por trás da manutenção e crescimento dos movimentos religiosos, pode-se claramente observar a estratégia do "medo" como instrumento de manipulação. 


O ser humano tem pavor do desconhecido. 

A partir dessa premissa o medo foi sofisticado, sendo criado o misticismo – misticum provém da mesma raiz latina de misterium. 



O sistema de criar um mundo que não pode ser visto ou controlado por simples mortais,  dá um poder infinito àqueles que dizem que conseguem manipula-lo. 

Devido à força que o misticismo possui, ele acabou sendo institucionalizado em forma de religiões. Hoje, elas estão aí para provar o poder que o desconhecido pode exercer sobre nós.


A religião atua no medo mais profundo do ser humano, que é o medo da morte.



Essa manipulação das massas é o mais forte instrumento de dominação dos povos. Ela anestesia as pessoas, mediante a alienação, ao invadir a mente de cada uma delas, com ideais de salvação.

"O horror visível tem menos poder sobre a alma do que o horror imaginado."  - William Shakespeare

Deus não é para ser amado, é para ser temido. Não é a toa que o cristianismo católico utiliza-se da imagem da crucificação de cristo como símbolo. Nada mais assustador que visualizar sistematicamente o flagelo do Cristo, exposto em suas entranhas, nos lembrando de "nossa culpa".

Afinal, ele morreu para nos salvar!

Medo, Culpa, Castigo...

Eis o mistério da fé!



Para os espiritas, existe a tão temida região do Umbral. Segundo os espiritas, o Umbral nada mais é do que o reflexo dos pensamentos, desejos e vontades de inúmeras pessoas semelhantes, em seus sentimentos negativos. Estes sentimentos intoxicam a alma e dificultam ou impedem que estas pessoas sigam para as regiões superiores.

Portanto, observem bem, pensamentos, desejos, e sentimentos, podem levá-lo direto para Umbral, onde você experimentará dores insuportáveis em um ambiente depressivo, angustiante, de vegetação feia, sujo, escuro, de clima e ar pesado e sufocante. Uma região terrível e horripilante.

É exatamente a partir dessa imagem, que você cede a toda e qualquer crença espírita.

Mais uma vez, a manipulação pelo medo.




"O medo dos poderes invisíveis, inventados ou imaginados a partir de relatos, chama-se religião." -Thomas Hobbes

Para os budistas, o medo vem travestido de sofrimento. Buda ensina que o sofrimento não surge 'por acaso', nem é um castigo imposto por um 'ser superior' em decorrência de nossos 'pecados'. Sua origem não está em coisas externas como a sociedade, a política e a economia; estas são causas secundárias, reflexos externos de nossas delusões internas. 

Para Buda, o sofrimento é causado pelo apego ao desejo e ao intenso 'querer' do ser humano, a sede de prazeres físicos, uma ânsia que nunca pode ser plenamente saciada e que, portanto, sempre irá provocar um sentimento de desprazer. 




Desta forma, fica claro que para os ensinamentos budistas, devemos seguir certas regras (Verdades) se quisermos viver felizes. O que não deixa de ser uma forma de manipulação, baseada no medo do sofrimento.


O super dimensionamento do medo leva a estagnação, furta a possibilidade de experiências com outras dimensões da vida, oblitera a liberdade de consciência, coage e inibe o desenvolvimento da personalidade, dos relacionamentos, inclusive reprime os demais sentimentos. 


"Se as pessoas são boas porque temem uma punição ou porque esperam uma recompensa, então somos todos, de fato, uma espécie lamentável" - Albert Einstein

O pior dos medos a nós incutidos, é o medo do pecado (ou do sofrimento gerado pelo pecado). O pecado é visto como um ato contrário à razão, à verdade, à consciência reta. Fere a natureza do homem e ofende a solidariedade humana. Pode-se dividi-los em pecados por pensamento, palavra, ação ou omissão, e segundo o catecismo, a raiz do pecado está no coração do homem, em sua livre vontade.

Entenda-se "pecado" como o profundo medo de não seguir o que está pré-estabelecido na religião. O mesmo serve para o "sofrimento" budista, ou para o Umbral espirita, por exemplo. 

A premissa é sempre a mesma, se você não seguir os pressupostos de uma determinada religião, vai padecer. 




Essa é sem dúvida, uma forma eficaz de manipulação em massa. Milhares de pessoas abrem mão de sua liberdade, de seu livre pensar, de seu discernimento, para seguir dogmas que lhes são impostos.


"Você não necessita de religião institucional para estabelecer espiritualidade. Há muitas pessoas fora desse sistema que estabeleceram densa espiritualidade." - Leandro Karnal


Os medos reais sendo potencializados e fortalecidos pelos poderes espirituais em ralação aos quais as religiões afirmam ter domínio em nome de Deus.

Tudo passa pelo crivo dos sentimentos, especialmente do medo, da culpa e do castigo, assim a manutenção ocorre, em nome da ignorância, falta de discernimento e apatia, quanto aos males provocados pela falta de liberdade.



O medo de padecer massifica, tolhe e limita nossas escolhas. Nos tira a verdadeira essência da alma, sem liberdade para desejar, ter pensamentos próprios, ser o dono de nossa vontade ou simplesmente de sentir.


"Onde o medo está presente, a sabedoria não consegue estar." Lucius C. Lactantius

A Absolutização da ignorância faz com que milhares se submetam ao carisma reificado que rouba a palavra da pessoa humana, relegando-a a uma condição de não perceber e resolver seus próprios problemas sem passes de magia. 



O medo, como instrumento de manipulação, é uma força coletiva exercida sobre um indivíduo, que faz com que este aja e viva de acordo com as normas e regras, sem nada questionar.

" Pessoas assustadas, são pessoas dóceis." - Leandro Karnal





Fonte: http://www.marilia.unesp.br/Home/RevistasEletronicas/Kinesis/Artigo02.E.Simoes.pdf

http://assimfaloudenardi.blogspot.com.br/2007/04/psicologia-do-medo.html
http://www.redeamigoespirita.com.br/profiles/blogs/a-vida-no-umbral
http://www.mundointerpessoal.com/2013/03/os-efeitos-negativos-da-religiao-na.html
http://revistaepoca.globo.com/Epoca/0,6993,EPT553084-1655-2,00.html





quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Cientistas dizem ter evidências de um novo planeta no Sistema Solar



Desde o rebaixamento de Plutão, o Sistema Solar passou a não ter mais nove, e sim oito planetas. 

No entanto, a suposta existência de um novo planeta gigante pode fazer com que o número volte ao que antes se tinha como real.

O planeta número 9 pode estar entre nós - e, dessa vez, parece que é para valer. 

Em um estudo publicado no Astronomical Journal, cientistas do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech, na sigla em inglês) dizem ter encontrado "evidências sólidas" de que mais um planeta deve fazer  parte da configuração atual do Sistema Solar. Um nono planeta, com órbita estranhamente alongada para esse tipo de corpo celeste, na periferia do Sistema Solar.

Evidência encontrada é a órbita estranhamente alongada para esse tipo de corpo celeste

A alegação é a mais forte ainda na busca secular para um "Planeta X" além de Netuno. 

A busca tem sido atormentada por reivindicações rebuscadas e até mesmo charlatanismos sem rodeios. Mas a nova evidência vem de um par de cientistas planetários respeitados, Konstantin Batygin e Mike Brown, do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), em Pasadena, que se prepararam para o inevitável ceticismo com análises detalhadas das órbitas de outros objetos distantes e meses com simulações de computador. 

Mike Brown

"Se você diz,  'Temos provas para o Planeta X', quase qualquer astrônomo vai dizer, 'De novo isto'? 'Esses caras são claramente loucos'! ", disse Brown. "Por que esse é diferente? Esse é diferente porque desta vez estamos certos. "

Ele teria 10 vezes mais massa massa que a Terra e, provavelmente, é coberto de gelo, pedras e gás. 

O planeta ainda não foi encontrado, mas telescópios em pelos menos dois continentes estão vasculhando o espaço à sua procura. 

O nono planeta ficaria entre 32 e 160 bilhões de quilômetros de distância do Sol (mais longe do que Plutão, cuja órbita fica a quase 6 bilhões).

O principal indício da existência do planeta é uma observação de muitos astrônomos: seis pequenos corpos no espaço em uma órbita altamente elíptica. 


Segundo os pesquisadores, o que surpreende é que as órbitas de todos os seis são inclinadas em um ângulo muito parecido, e estão no mesmo quadrante do Sistema Solar. 

As chances de isso acontecer por "coincidência" são de 1 em 14.000. Assim, acredita-se que um corpo muito maior (um planeta) esteja atraindo gravitacionalmente esses corpos.

Mike Brown e Konstantin Batygin 

Michael Brown, um dos autores do estudo, explica que, de primeira, nem ele acreditou que o responsável pelo fenômeno seria um novo planeta. 

Segundo ele, essa é e a explicação que os astrônomos dão para qualquer comportamento orbital que eles não conseguem explicar. 

Mas as equações matemáticas e os modelos de computador foram convincentes. "Aquele foi um momento em que fiquei de queixo caído, quando a ideia passou de uma coisa pequena para algo que pode ser real", afirma.

Segundo os autores do estudo, a existência do "Planeta Nove" ajudaria a explicar uma série de fenômenos misteriosos que ocorrem com um conjunto de objetos congelados e destroços localizados além de Netuno, conhecido como Cinturão de Kuiper.

Suposto planeta 9
"A princípio, estávamos céticos de que este planeta poderia existir, mas continuamos a investigar sua órbita e o que isso significaria para a periferia do Sistema Solar e ficamos cada vez mais convencidos de que ele existe", diz Batygin, coautor do estudo. "Pela primeira vez em mais de 150 anos, há evidências sólidas de que o censo planetário do Sistema Solar está incompleto."

Não é a primeira vez que um astrônomo propõe a existência de um "Planeta X", mas desta vez a alegação parte de um cientista altamente prestigiado no meio. Michael Brown, do Caltech, foi o primeiro a enxergar Sedna, o planeta-anão cuja descoberta culminou no rebaixamento de Plutão.

O mais irônico dessa descoberta é que Michael Brown é o mesmo astrônomo responsável pelo rebaixamento de Plutão, 10 anos atrás.  Ele diz que sua filha ainda está brava com ele por toda a história do planeta-anão: "Ela sugeriu alguns anos atrás que ela me perdoaria se eu achasse um planeta novo". Dito e feito.

Brown e Batygin

Se o Planeta X existir, disseram Brown e Batygin, os astrônomos devem encontrar mais objetos em órbitas reveladoras, formadas pela força do gigante escondido. 

Mas Brown sabe que ninguém vai realmente acreditar na descoberta até Planeta X só aparecendo dentro de um visor telescópio. 

"Até que haja uma detecção direta, é uma boa hipótese ainda que seja hipótese em potencial", disse ele. A equipe esperar usar o grande telescópio no Havaí, que é adequado para a pesquisa, e eles esperam que outros astrônomos participem da caçada.

O coautor da pesquisa,  diz que a existência do planeta ainda é uma incógnita: "Até nós vermos ele de fato, sempre vai ser questionável se ele existe ou não". 

Agora, os cientistas continuarão a aprimorar suas simulações e a estudar o "Planeta Nove" e sua influência na periferia do Sistema Solar. Também já começaram a buscar por sinais dele no céu, já que apenas sua órbita é conhecida, mas não sua localização exata.


"Adoraria encontrá-lo", afirma Brown. "Mas também ficaria feliz se outra pessoa o encontrasse. É por isso que estamos publicando este estudo. Esperamos que pessoas se inspirem e comecem a buscá-lo."

A comunidade científica, no geral, parece esperançosa. 







Fonte:http://super.abril.com.br/ciencia/cientistas-acham-que-descobriram-um-novo-planeta-no-sistema-solar
http://www.misteriosdouniverso.net/2016/01/astronomos-da-caltech-podem-ter.html
http://exame.abril.com.br/tecnologia/noticias/encontradas-evidencias-de-nono-planeta-no-sistema-solar