terça-feira, 23 de agosto de 2016

UMA AÇÃO É UM PENSAMENTO QUE SE MANIFESTA


Uma ação é um pensamento que se manifesta. 

Um pequeno gesto nos denuncia, de modo que temos que aperfeiçoar tudo, pensar nos detalhes, aprender a técnica de tal maneira que ela se torne intuitiva.

Intuição nada tem a ver com rotina, mas com um estado de espírito que está além da técnica.


Assim, depois de muito praticar, já não pensamos em todos os movimentos necessários: eles passam a fazer parte da nossa própria existência. 

Mas para isso, é preciso treinar e repetir. E como se não bastasse, é preciso repetir e treinar. 


Observe um bom ferreiro trabalhando o aço. Para o olhar destreinado, ele está repetindo as mesmas marteladas.

Mas quem conhece a importância do treinamento, sabe que cada vez que ele levanta o martelo e o faz descer, a intensidade do golpe é diferente. 

A mão repete o mesmo gesto, mas à medida que se aproxima do ferro, ela compreende que se deve tocá-lo com mais dureza ou mais suavidade.


Observe o moinho. 

Para quem olha suas pás apenas uma vez, ele parece girar com a mesma velocidade, repetindo sempre o mesmo movimento. Mas aquele que conhece os moinhos sabe que eles estão condicionados ao vento, e mudam de direção sempre que for necessário.

A mão do ferreiro foi educada depois que ele repetiu milhares de vezes o gesto de martelar. As pás do moinho são capazes de se moverem com velocidade depois que o vento soprou muito, e fez com que suas engrenagens ficassem polidas.


O arqueiro permite que muitas flechas passem longe do seu objetivo, porque sabe que só irá aprender a importância do arco, da postura, da corda, e do alvo, depois que repetir seus gestos milhares de vezes, sem medo de errar.

Até que chega o momento em que não é mais preciso pensar no que se está fazendo. A partir daí, o arqueiro passa a ser seu arco, sua flecha, e seu alvo.

Paulo Coelho







sábado, 20 de agosto de 2016

FILME: VIOLAÇÃO DE PRIVACIDADE - DUBLADO




Se soubesse que toda sua vida esta sendo gravada,você agiria diferente?



Gêneros Suspense, Ficção científica
Produção: Nick Weschler
Direção: Omar Naim
Roteiro: Omar Naim
Elenco: Robin Williams, Jim Caviezel, Mira Sorvino mais
Nacionalidades Eua, Canadá, Alemanha
Fotografia: Tak Fujimoto
Trilha Sonora: Brian Tyler
Duração: 105 min.
Ano: 2004



Em um futuro próximo CHIPS poderão ser implantados em humanos com diferentes finalidades: científicas ou não. Bebês, ao nascerem e com total anuência de seus pais, terão chips implantados no seu cérebro com a finalidade de gravar toda sua vida, todas as suas experiências até o momento de sua morte.

Porém ele só poderá saber que é portador do chip aos 21 anos. Sua vida será gravada, suas emoções, seus devaneios, suas impressões criadas na mente serão gravadas. Ele não terá opção.

Algumas pessoas possuem em seu cérebro um implante de
memória, comprado por seus pais antes mesmo de nascerem, que registra todos os fatos ocorridos em sua vida. Após sua morte este implante é retirado e, com o material nele existente, é editado um filme sobre a vida da pessoa, que é exibido em uma cerimônia póstuma chamada Rememória. Alan Hakman (Robin Williams) é o
melhor montador de filmes para a Rememória em atividade, usando seu talento para preparar filmes que concedam a absolvição ao morto em relação aos erros por ele cometidos em vida.




Por se dedicar ao trabalho, Alan se torna uma pessoa distante e
incapaz de viver sua própria vida. Ele se considera uma espécie de "devorador de pecados", acreditando que seu trabalho seja um meio de perdoar os mortos e que, de alguma forma, este perdão também chegue para ele próprio. Porém, quando busca por material em um implante para a Rememória de um diretor da empresa que fabrica os chips, Alan encontra a imagem de uma pessoa que marcou sua
infância. É quando Alan decide iniciar uma busca pela verdade sobre esta pessoa, em uma tentativa pessoal de conseguir sua redenção por um erro do passado.
A própria vida de Alan volta ao passado, para seu desespero.




CURIOSIDADES

Outro ponto interessante que o filme aborda – e que ao final de revelar o verdadeiro cerne do longa-metragem – é a questão da subjetividade da memória. Há uma cena curta e exemplar a respeito disso no filme. Logo no princípio, Alan é contratado para editar uma memória e recebe instruções específicas para incluir uma cena que envolve um passeio de barco. Ele o faz. Depois de exibir o filme, o responsável pelo pedido o aborda e pergunta se ele alterou a memória em questão. “Nas minhas lembranças, o barco é verde, mas no filme ele aparece vermelho”, questiona. “Talvez sempre tenha sido vermelho”, responde Alan. A cena é curta, mas reverbera até o final, no filme e na cabeça do espectador. Memórias sempre distorcem a realidade, como todos sabemos.

Em resumo, “Violação de Privacidade” aborda, sob um ângulo diferente, um tema que vem sendo visitado por muitos criadores: onde termina a realidade e onde começa a ilusão? Talvez por causa dessa abordagem, Omar Naim preferiu não se preocupar com a direção de arte. O que lhe interessa é o conteúdo, não a forma do filme. Assim, embora o implante de memória seja um artefato claramente futurista, assim como as chamadas “tatuagens elétricas”, que pessoas desejosas de se livrar do equipamento precisam implantar na face para inutilizá-lo, toda a ambientação do filme acontece no presente, incluindo os automóveis e a arquitetura.



CRÍTICAS DO PÚBLICO

O que parece realmente incomodar o público que assiste a “Violação de Privacidade”, no entanto, é mesmo a pouca importância que a história do advogado tem para o diretor. O serviço para o qual Alan Hakman foi contratado tem papel importante na trama, mas não da maneira que as pessoas esperam. “Violação de Privacidade” é Alan, não sobre Charles Bannister. É sobre o trauma de infância do editor, e não sobre um advogado que as pessoas imaginam ser um criminoso.
Bannister funciona meramente como catalisador da discussão rica e complexa a respeito das questões envolvendo memórias e privacidade, que o diretor deseja abordar. Omar Naim prova isso quando termina o filme deixando sob sombras o verdadeiro segredo de Bannister. Naim não fez um thriller, mas um drama de ficção científica. Dos bons.

ASSISTIR EM DUAS OPÇÕES


OPÇÃO 1





OPÇÃO 2







sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Você, que veio das estrelas...



"Você, que veio das estrelas e deu o grande mergulho no mundo de matéria.

Você, que veio das estrelas e, com o sacrifício de sua própria origem cósmica, se abrigou num invólucro de carne.


Você, que veio das estrelas e abandonou a realidade universal para habitar o mundo de ilusões.

Você, que veio das estrelas, e que agora sente-se estranhamente só, esqueça-se de tudo e entregue-se aos apelos de sua voz interna. 


Ouça o que ela tem para lhe dizer, que nada mais é tão importante, nem mesmo os compromissos com que o mundo tenta distrair sua visão cósmica.

Descobrirá que, na verdade, não está só, que são muitos os seus irmãos das estrelas que para cá também vieram para estender a mão e amparar com ombros fortes os passos da humanidade desta difícil época de transição.


Será fácil reconhecê-los, palavras não serão necessárias, e nem mesmo será preciso saber seus verdadeiros nomes.

Saberá encontrá-los pela afinidade de suas energias, pelo chamado de seus corações e pela profunda identificação com seus sentimentos.


Você, que veio das estrelas, sente agora no canto mais íntimo de sua alma, que chegou o momento de encontrar, na Terra, a sua família universal, que chegou o momento do reconhecimento, que chegou o momento da reunião de todas as forças para a realização da missão única de que todos se incumbiram, antes de aqui chegarem.


Abra seu coração, acorde sua consciência adormecida, apalpe seu ser interior, deixe que ele fale, acima de tudo, acima do mundo, acima de todos os conceitos que não lhe permitem existir em toda a sua potencialidade cósmica.

Você, que veio das estrelas, que é todo luz e é todo força, libere-se, que chegou o tempo de abrir as portas para uma nova era.


Você, que veio das estrelas, eterno viajante do espaço, compartilhando agora com tantos outros irmãos uma experiência tridimensional e difícil, não se deixe mais perder em momentos inúteis que lhe trazem apenas solidão.



Não se deixe mais seduzir pelas falsas luzes do asfalto, assuma sua personalidade cósmica, estenda seus braços e, num único abraço, envolva sua grande família, sua imensa família universal e todos juntos, com plena consciência da unidade de sua origem, cada qual com a sua parcela de colaboração, cumprirão com alegria e coragem o maravilhoso trabalho de conscientização da humanidade para este novo milênio!"

Wagner Borges









Fonte:http://www.pontocosmico.in/2016/06/voce-que-veio-das-estrelas.html





terça-feira, 16 de agosto de 2016

O SABER E A SABEDORIA




É comum que se confunda o saber,  com a sabedoria, mas essas são coisas bem distintas. Se prestarmos atenção, podemos verificar que a diferença é clara e visível. Os termos “informação”, “conhecimento” e “sabedoria” são freqüentemente utilizados com o mesmo sentido, o que traz muitas interpretações dúbias e até errôneas, principalmente no que diz respeito aos termos saber e sabedoria.


O saber é o somatório das informações que adquirimos, é a base daquilo que chamamos de cultura. Podemos adquirir o saber sem sequer vivermos uma só experiência fora dos livros e das aulas teóricas. Podemos nos tornar cultos sem sairmos da reclusão de uma biblioteca. 


Já a sabedoria, por outro lado, é o reflexo da vivência, na prática, quer pela experimentação, quer pela observação, da utilização dos "saberes" previamente adquiridos. 


O saber  é o acúmulo de conhecimentos e estudos que se faz. Está ligado diretamente à percepção, pois se trata de tudo aquilo que recebemos do mundo exterior para dentro de nós. 

A sabedoria implica numa "digestão" desse saber, sua absorção completa e a geração de um modo de pensar. É o dom que nos permite discernir qual o melhor caminho a seguir, a melhor atitude a adotar nos diferentes contextos que a vida nos apresenta.


A diferença básica é como se perguntássemos para alguém o que ela sabe sobre determinado assunto (saber) ou o que ela acha de determinado assunto (sabedoria). Nossas opiniões pessoais são formadas com base no conhecimento, mas passando por uma assimilação deles e sua inter-relação. Nem sempre este processo é totalmente lógico, pois entra em ação também a intuição, que é um canal de conhecimento que a maioria não está acostumada a admitir. 

A informação é o dado em seu estado bruto, captado pelos sentidos de todos os níveis: odor, paladar, imagem, pressentimentos, leituras , palestras , reuniões , etc. O conhecimento é a informação analisada, compreendida e incorporada,  já sabedoria é o conhecimento submetido ao julgo dos valores, crenças , ética e moral, sendo assim, não há sabedoria sem conhecimento, e nem conhecimento sem informação, podemos dizer que são dados em estágios diferentes de processamento, semelhante a um diamante, ele bruto tem um valor, mas lapidado este valor se multiplica, mas em nenhum momento deixou de ser um diamante. 




O saber pode ainda ser aprendido como um processo ou como um produto. Quando nos referimos a uma acumulação de teorias, idéias e conceitos o conhecimento surge como um produto resultante dessas aprendizagens, mas como todo produto é indissociável de um processo, podemos então olhar o conhecimento como uma atividade intelectual através da qual é feita a apreensão de algo exterior à pessoa.



A definição clássica de saber originada em Platão, diz que ele consiste de crença verdadeira e justificada. Aristóteles divide o saber em três áreas: científica, prática e técnica.


Sabedoria (em grego "sofía") é o que detém o "sábio" (em grego "sofós"). Desta palavra derivam várias outras, como por exemplo, "amor à sabedoria" (filos/sofia). Há também o termo “Phronesis” - usado por Aristóteles na obra Ética a Nicômaco para descrever a “sabedoria prática”, ou a habilidade para agir de maneira acertada.

Mesmo para "Sophia" há conceitos diferentes: muitos fazem distinção entre a "sabedoria humana" e a "sabedoria divina".

Sabedoria humana seria a capacidade que ajuda o homem a identificar seus erros e os da sociedade e corrigi-los. Sabedoria divina seria provavelmente a capacidade de aprofundar os conhecimentos humanos e elaborar as versões do Divino e questões semelhantes.

Sabedoria é a utilização do conhecimento na construção da felicidade.



Existem pessoas dotadas de grande conhecimento, porém sem uma gota de sabedoria. Apenas sabiam recitar trechos de artigos, citar autores e situações semelhantes, mas muitas vezes sem uma opinião própria ou solução. E quando confrontados com uma situação adversa, apenas recitam os autores anteriores, os velhos tratados e os textos clássicos. Mas o que isso lhe trouxe de crescimento interior?

No entanto também nos deparamos com pessoas sem instrução nenhuma, mesmo analfabetas, dotadas de imensa sabedoria. Elas também possuem conhecimento, mas através da observação de acontecimentos cotidianos.  

Conhecer uma série de coisas não torna ninguém necessariamente sábio. A reflexão e meditação no que se conhece é que gera a sabedoria, fazendo associações muitas vezes óbvias mas que ninguém enxergou antes. A sabedoria se mostra no dia-a-dia, como a pessoa enfrenta situações adversas e deriva da absorção do conhecimento, ou seja, ele se torna parte dele mesmo. 




Ou seja, uma pessoa culta não é necessariamente sábia, mas uma pessoa sábia é  culta em sua área de sabedoria. Para se ser sábio é preciso viver, experimentar, ousar, ponderar, amar, respeitar, ver e ouvir a própria vida.


É preciso buscar, sim, o conhecimento, a informação e a cultura, mas também se deve ter a coragem de experimentar a vida, o amor e o compartilhar. 



Deve-se atentar para não se tornar uma "ostra egóica", alguém fechado em si mesmo e no próprio processo de aprendizado. Fazer isso é o mesmo que iniciar uma viagem e se encantar tanto com a estrada a ponto de se esquecer para onde se está indo. E isso não parece ser uma atitude muito sábia. Então, sejamos sábios: vivamos, amemos e compartilhemos o que há em nossos corações!



O filósofo Lin Yutang afirmava que o saber sem reflexão era perda de tempo. É a absorção do conhecimento que nos torna sábios, não ele em si. E nota-se quando uma pessoa possui a sabedoria na maneira como ela interage com os outros e, principalmente, em como lida consigo mesma.  A sabedoria aparece na própria pessoa, em seus modos e maneiras. 

Por que os orientais são vistos muitas vezes como sábios? Porque a filosofia oriental não admite separação entre saber/fazer, teoria/prática. Tudo o que se aprende com os Mestres ou os velhos livros é fundido na consciência e aplicado em qualquer coisa, de lavar pratos a caminhar na montanha. O conhecimento se torna, assim, sabedoria. 

O saber é o ato ou efeito de abstrair ideia ou noção de alguma coisa, a sabedoria consiste em saber o que fazer com qualquer conhecimento, como utilizá-lo de forma prudente, moderada e profícua, útil.


Conto Zen:
"Dois discípulos procuraram um mestre para saber a diferença entre o saber e a sabedoria. O mestre disse-lhes: "Amanhã, bem cedo, coloquem dentro dos sapatos 20 grãos de feijão, 10 em cada pé. Subam, em seguida, o monte que se encontra junto a esta aldeia, até o ponto mais elevado, com os grãos dentro dos sapatos".
No dia seguinte, os jovens discípulos começaram a subir o monte. Lá pela metade, um deles estava padecendo de grande sofrimento: seus pés estavam doloridos e ele reclamava muito. O outro subia naturalmente a montanha. Quando chegaram ao topo, um estava com o semblante marcado pela dor, o outro, sorridente. Então, o que mais sofrera durante a subida perguntou ao colega: "Como você conseguiu realizar a tarefa do mestre com alegria, enquanto para mim foi uma verdadeira tortura?" O companheiro respondeu: "Meu caro colega, ontem à noite cozinhei os 20 grãos de feijão".




Pois bem, claramente percebem-se semelhanças no conceito dessas palavras, o que acarreta no emprego indiscriminado de ambas sem a distinção do conceito intrínseco de cada uma. Porém, existe uma distinção entre elas que muda totalmente o sentido da frase onde são colocadas.

O saber é ter informação, noção, ciência de algo ou alguma coisa. É conhecer alguma técnica ou ciência, diferencia-la de outras técnicas ou ciência, ser versado por essa técnica ou ciência. No entanto, o simples fato de "saber" uma dada informação não implica em ser aquilo que se conhece. É ter acesso àquele dado, e até mesmo procurar aplicá-lo, mas sem se tornar aquele conhecimento. Em síntese, o saber não está dentro do conhecedor, mas é apenas algo que pode ser acessado, empregado, usado por ele.


Por outro lado, a Sabedoria é igualmente ter grande conhecimento, erudição, prudência, moderação, temperança, sensatez, reflexão, mas com uma característica diferente. A Sabedoria pressupõe não só ter o Conhecimento, mas também saber como utilizar esse conhecimento, não só em ocasiões especiais, mas em todos os fatos da vida. Ou seja, Saber não é apenas ter conhecimento, mas é SER o Conhecimento. E aqui reside a diferença entre o saber e a Sabedoria, pois a Sabedoria pressupõe não só o Conhecimento, mas a transformação daquele que conhece na própria imagem da Sabedoria, a representação desse Saber.

E é aplicando esses conceitos na vida que poderemos distinguir se a pessoa tem conhecimento (saber) ou é a sabedoria. É evidente que conhecer algo é importante, pois se pode aplicar esse conhecimento em determinado campo de saber humano. No entanto, o mais importante é saber-se, ou seja, é tornar-se esse conhecimento, é transformar a sua vida a imagem da própria sabedoria.